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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Querido Amigo, II

Amigo,

Lembra do dia em que eu fiz uma lista das coisas que se podia saber sobre você só de olhar as suas comunidades do orkut? Aquilo rendeu uma longa conversa por msn... e por algum motivo eu resolvi salvar no bloco de notas.
Hoje eu estava "limpando" meu computador, deletando alguns arquivos agora inúteis, quando encontrei aquela conversa. Não me contive e reli tudo. Vinte e duas páginas de conversa. E nem deve ter sido a mais longa se contarmos as mais velhas.
Reclamamos muito da chuva, falamos de shows, histórias em quadrinhos, formatura, TCC e de nossos "lados negros". Preciso admitir que me emocionei lendo aquilo. Desta vez, bem como da primeira.
Foi como olhar no espelho pela primeira vez depois de muito, muito tempo. Me vi na suas palavras, nas minhas palavras sobre você e de novo nas suas palavras sobre mim. Nem tudo era o que esperava ver, é verdade, mas era tudo bastante preciso.
Já não tinha dúvidas disso, tanto que já disse muitas vezes em outras palavras. Você me viu. Além disso, você foi meu espelho.
Como podia alguém ver tantas coisas que eu me matava para não mostrar? Estava tudo ali, na ponta dos seus dedos.
Sabe, já disse isso antes também, mas é um grande alívio quando um amigo vê o que não mostramos. Agora na sua ausência, preciso procurar me refletir em um outro alguém. Caso contrário, temo esquecer com que se parece meu próprio rosto.

Saudades suas
Aninha

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Querido Amigo,

Amigo,

Já lhe contei algumas mentiras.
Talvez a segunda maior delas tenha sido dizer que meu maior medo era, em outras palavras, a atonia frente ao desespero. É claro que isso era mentira. Meu maior medo é, desde que me entendo por gente, a solidão.
Não sei se você se importa, mas tive vontade de lhe contar que hoje experimentei dela. Também não posso lhe dizer com sinceridade que não a quis, pois acho que, sem perceber, a busquei. Será que deixar de ir atrás das pessoas é o mesmo que fugir delas? Porque foi isso que fiz. Foi isso o que aconteceu de ambas as partes. E não, desta vez não me refiro a você, embora ironicamente pudesse.
Talvez eu seja só dramática e precipitada em minhas conclusões, achando que tudo seja sinal de que minha presença incomoda. Acho que minha maior vontade hoje é que alguém me afirme o contrário.
Sabe, agora, aqui sozinha, percebo que "assustadora" não é nem de longe a melhor palavra para descrever a solidão. Não estou com medo agora. No entanto, ainda me faz sentido temer a solidão, como ainda a temo,  já que, mesmo não sendo assustadora, ela é desagradável. E faz sentido ter medo da dor.
Me prometa que, onde estiver, você não sentirá dor.


Saudades suas
Aninha

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Querido Leitor Anônimo, mais uma vez

Por que insistir?
Porque você acreditou na minha força quando tudo o que eu via em mim era fragilidade.
Você me trouxe um conforto ao ver o que eu não mostrava,
ao prestar atenção  nos detalhes.
O que eu nunca disse é que eu também prestei atenção
e acredito ter visto você.
Eu vi você.
Peço desculpas por não ter deixado que você soubesse o quanto vi.
Privei você de um conforto que só você soube me proporcionar até hoje.
Agora já é mais do que tarde demais pra dizer essas coisas,
e espero que você saiba que sei disso.
Mas algo em mim ainda tem fé,
fé de que você estivesse mais certo do que eu teria gostado de admitir.
E, se você estivesse certo todas as vezes que disse que éramos parecidos,
você ainda se importa.
Do mesmo modo que deve ter se importado antes,
mas eu, boba, não admiti.
Você deve saber a que me refiro,
já que não é nada absurdo:
É só a sua amizade,
e a ausência dela, que me incomoda.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Amigos

Você virá me contar sobre as desgraças do seu dia, e eu vou chamar você de dramático.
Você vai me ligar no meio da noite de quarta-feira só porque você não tinha mais nada pra fazer. Eu vou ligar pra você na noite de sábado chorando só porque levei um fora daqueles, então você vai me dizer pra criar vergonha na cara e dar mais valor a mim mesma.
Eu vou me olhar no espelho e dizer que, se eu não fosse gorda, eu não teria passado por metade dos problemas pelos quais passei, e você vai me mandar calar a boca porque eu não estou gorda, mesmo que isso seja uma mentira.
Você vai me dar um abraço apertado quando eu passar no vestibular e vai me incentivar a ir a todas as festas de faculdade às quais você sabe que eu jamais iria.
Você vai rir da minha cara toda vez que eu não souber uma resposta e eu vou fazer todo o drama em cima disso. Então você vai perceber que só o chamo de dramático por pura hipocrisia.
Eu vou ligar pra você no meio da noite de quarta-feira só por causa da bendita TPM. Vou arranjar desgraças na minha vida em que eu possa colocar a culpa por minha irritabilidade pra fazer ainda mais drama em cima disso também. E você nem vai se dar o trabalho de se fingir interessado e vai dormir do outro lado do telefone, eu vou lhe dar uma bronca e você vai acordar, mesmo que eu não tenha realmente ficado brava.
Você vai falar um palavrão na minha frente e vai morrer de vergonha e pedir um milhão de desculpas. Então um dia eu vou soltar um bem articulado "puta que pariu", e você, depois do choque inicial, vai passar a falar toda a sorte de palavrões que conhece na minha presença sem a menor culpa.
Você vai arranjar uma menina linda, inteligente e engraçada, mas eu vou odiá-la até a morte. Porque eu vou morrer de ciúmes do tempo que você vai passar com ela. Porque eu vou morrer de medo de que você se esqueça de me ligar no meio da quarta à noite quando não tiver nada pra fazer.
Porque hoje, graças a Deus, tenho a segurança de dizer que somos amigos. :)