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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Coisa Mais Bem Distribuída no Mundo

Ética é o conjunto de normas que regem a boa convivência numa sociedade. Havendo diversos tipos de sociedades, em tempos e espaços diferentes, o conjunto de valores éticos também varia ao longo do tempo e espaço. Ética e cultura se permeiam, e por isso muitas vezes é difícil isolar cada aspecto, de uma, de outra ou de ambas, para análises minunciosas, sendo mais preciso, portanto, a avaliação do conjunto.
O Brasil, um bom exemplo, dado o tamanho de seu território e os diferentes processos que marcaram sua formação cultural em cada região, não apresenta uma sociedade única, coesa, mas uma fragmentada em pequenos grupos sociais, cada um com suas culturas particulares e peculiaridades, apesar de formarem todos uma só nação.
"Bom senso é a coisa mais bem distribuída no mundo." Ninguém acha que precisa de um melhor ou pede por mais. Sendo assim, é um despropósito tomar por universal a opinião de  um brasileiro, cuja formação foi limitada pelo tempo e pelo espaço nos valores éticos que não se aplicam por todo o país, sobre a posição dos demais brasileiros frente aos princípios e culturas da nação que constroem.
Isso, porém, não quer dizer que seja correto isentar-se das responsabilidades de avaliar a retidão da nação e de trabalhar para seu progresso, mas, sim, que é preciso ter humildade e reconhecer que nenhuma opinião ou valor é universal.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Hipocritamente Civilizados

O avanço da civilização, ao mesmo tempo que nos traz esclarecimentos nem sempre confortáveis, faz com que o conhecimento objetivo e a seriedade tomem gradualmente o espaço das questões subjetivas e dos sentimentos de prazer e contentamento.
O ser humano vê-se, então, limitado, uma vez que seu ego requer atenção e que é incapaz de se responsabilizar infinitamente. Seu conflito não gira apenas em torno da aparente oposição entre um futuro confortável e um futuro maduro. Vê-se que é biologicamente impossível ao homem continuar a avançar sobre populações, de outras espécies ou mesmo humanas, e sobre o planeta, tão intensa e continuamente, e teme-se que o domínio humano sobre a Terra esteja em seu ápice e que, daqui para a frente, só haja decadência.
Ora, se continuarmos a ter em mente que o crescimento da civilização implica o controle do homem  sobre toda forma de vida, realmente entraremos em decadência em breve e o ápice do domínio humano não corresponderá ao ápice de nossa felicidade. Isso, porém, não quer dizer que devemos abrir mão de toda e qualquer posse para sermos felizes, mas sim que saborear cada pequena conquista, individual ou coletiva, fará com que nos sintamos mais completos e percebamos que algumas aparentes conquistas, supérfluas, a longo prazo nos trarão mais preocupações do que alegrias.
É preciso que reavaliemos os valores das coisas e reconheçamos o ser humano em toda sua individualidade; urge reavaliarmos os valores em que nos inserimos e reconhecermos o ser humano em todas as suas limitações. Faz-se aparente a necessicidade de valorização das noções subjetivas sobre a tendência corrente de tornar toda forma de conhecimento objetiva e generalizada.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ditadura da Felicidade

A "ditadura da felicidade" que inegavelmente vivemos há, pelo menos, uma década nos leva à incompreensão da tristeza alheia e à perda da empatia por aqueles que se mostram mais facilmente sensibilizados. A pressão exercida pela mídia, que nos mostra modelos artificiais e falsos de felicidade, se destaca dentre os vários fatores sócio-culturais que culminaram na chamada "ditadura".
Um problema que esse processo acarreta consiste no fato de que o sentimento de tristeza não expresso acaba por se manifestar de outras maneiras, geralmente mais destrutivas, como a agressão física ou verbal, que normalmente é entendida como expressão de unicamente raiva, emoção ironicamente melhor aceita pelos padrões de comportamento a que somos expostos, senão impostos.
Na incapacidade de reprimir completamente tais sentimentos negativos e em recusa a ir contra os modelos não genuínos de felicidade tão vastamente explorados, muitos recorrem a medicamentos e demais artifícios que prometem suprimir os limites bio-psicológicos humanos.
Acaba-se por perder de vista os objetivos pessoais e os valores a que se devia ater mais fortemente do que a qualquer outra coisa por não se aprender a lidar com frustrações, acreditando que a doença reside na dor, enquanto justamente a dor é capaz de nos libertar do torpor da insensibilidade.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Escolha profissional entre a Felicidade e o Retorno financeiro

Já faz algumas décadas que os jovens são forçados cedo demais a decidir que profissão seguir pelo resto de suas vidas. Alguns são felizes em suas escolhas e nelas persistem pelo resto de suas vidas. Outros, infelizes, as mantêm mesmo assim, permanecendo, porém, abertos a oportunidades de caminhos divergentes que possam surgir ao longo da vida, ou não as mantêm logo de início e vão em busca de outra carreira.
A escolha profissional, se feita com negligência ou incerteza, pode acarretar frustrações em se tratando do retorno financeiro, do produto gerado pelo trabalho e das relações interpessoais surgidas espontaneamente ou por imposições. Uma escolha bem feita implica, portanto, ponderar as habilidades físicas, intelectuais e sociais do indivíduo juntamente de suas ambições financeiras e, no sentido da elevação do ego e do altruísmo, espirituais.
Isso quer dizer também que aquele que tem ambições de mais difícil concretização mais dificilmente se sentirá satisfeito, enquanto aquele que não ambiciona muito será mais provavelmente contentado. Isso, porém, não quer dizer que aqueles que desejam pouco são mais felizes. Possivelmente, tais pessoas sofram de fortes inseguranças sobre si mesmos. E, para aqueles que ambicionam grande retorno financeiro, é importante avaliar se tal amibição não é um escape com a supressão das ineficiências intelectuais, físicas, sociais ou espirituais.
Assim como Bertrand Russel colocou a filosofia entre a religião e a ciência, conciliando o não-dogmático com o não-concreto, ao se fazer a escolha profissional deve-se conciliar o executável dentro dos limites físicos e intelectuais e a expectativa de retorno financeiro, social e espiritual.